Sábado, 20 de Junho de 2009

Tinariwen


publicado por oha às 20:02
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Natureza e Comboio


publicado por oha às 17:22
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Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Os poetas

 

 

                                                                                                                                Ao Albano Martins



"É preciso ler os poetas
na sua língua
com rodelas de tomate
e um fio de azeite
ao correr de cada verso.

É preciso chorar
as lágrimas que eles insistem
em soltar no silêncio
de indecisas madrugadas.

É preciso ouvir
o modo como caminham cantando
contra os muros revestidos
pelo arrepio das barbáries.

É preciso aprender com eles
a arte tranquila de habitar a brisa
em Maio
e dedilhar
o alaúde lunar
por baixo dos aloendros.

É preciso dizer que eles são poetas
perigosíssimos seres de olhos carregados
do mais doce sumo das cerejas.

São poetas e voam
como pombas na sílaba do mel.

São poetas e guardam
com horror a memória de terras
profanadas.

Nascem em Lisboa
Dublin
em Granada ou num gueto
de Varsóvia.

Se alguém te perguntar
ó meu irmão
diz que eles são poetas.
Bebem pétalas caminham
sobre a água das palavras.

São poetas
e venham de onde vierem
nasceram sempre ao teu lado
meu irmão
na raiz
do perfeito coração. "

 

 


publicado por oha às 21:42
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Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

Ken Saro Wiwa

 

Em 1993, Ken Saro Wiwa juntamente com 300 mil pessoas protestaram pacificamente contra os danos ambientais no Delta causados pelos oleodutos.

Em 1995 foi assassinado pelo regime militar nigeriano, juntamente com outros oito activistas

A multinacional shell não só foi responsável por danos ambientais graves, como colaborou com a ditadura nigeriana na violação dos direitos humanos.

 

 


publicado por oha às 17:12
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Inocência


publicado por oha às 12:01
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Burgueses

 

"No me dan pena los burgueses vencidos.
Y cuando pienso que van a dar me pena,
aprieto bien los dientes, y cierro bien los ojos.

Pienso en mis largos días sin zapatos ni rosas,
pienso en mis largos días sin sombrero ni nubes,
pienso en mis largos días sin camisa ni sueños,
pienso en mis largos días con mi piel prohibida,
pienso en mis largos días Y

No pase, por favor, esto es un club.
La nómina está llena.
No hay pieza en el hotel.
El señor ha salido.

Se busca una muchacha.
Fraude en las elecciones.
Gran baile para ciegos.

Cayó el premio mayor en Santa Clara.
Tómbola para huérfanos.
El caballero está en París.
La señora marquesa no recibe.
En fin Y

Que todo lo recuerdo y como todo lo recuerdo,
¿qué carajo me pide usted que haga?
Además, pregúnteles,
estoy seguro de que también
recuerdan ellos."

 


publicado por oha às 11:46
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Provérbio russo

"Há quem passe pela floresta e só veja lenha para a fogueira."
 

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publicado por oha às 08:38
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Um dia alguém numa grande cidade...

"Um dia alguém numa grande cidade longí­nqua dirá que morri
di-lo-á decerto com pena mas sem o alívio que eu próprio decerto senti
primeiro ao solucionar de vez esse problema de respiração que a vida é
desde a convulsão da criança que a meio do copo deixou ir leite para a traqueia
até a instantânea atrapalhação do mergulhador a quem de súbito falta o ar comprimido
só dispõe da reserva e lhe faltava tanto que ver no fundo sonhador do mar
depois senti alívio porque às vezes a meio por exemplo da aragem na face
eu pensava na morte como problema metafísico a resolver pelo menos com higiene
se não com dignidade com acerto como mais um problema à medida do homem
Eu estava do lado dos vivos estou do lado dos mortos
o grande problema era saber se me doía ou se não me doía
agora nem sei se me doeu ou não ou fui um mero espectáculo de mau gosto
para a única pessoa encarregada de me ajudar nesse momento
Ninguém a princípio terá sabido que eu morrera só minha
mulher avisada de longe virá e me porá a mão sobre a testa
os demais não não disponho do olhar para me defender
o tempo depressa se passa são trâmites legais até me terem deixado
debaixo do chão bem debaixo do chão sem frases lidas
ou gravadas sem sentimento nenhum
Uns dias depois um pequeno grupo junto a uma grande janela
olhará a neblina da manhã de janeiro
e terá mãos que eu tive para os meus problemas de vivos
Onde eu estive sobre uma mesa com uma perna cruzada
suaves começarão a suceder-se e acumular-se os dias
como cartas revistas linguísticas ou livros adormecidos
despertos apenas no momento fugaz da leitura
A vida será indistinta virá até nós como árvores
rodará em volta como um lençol até cobrir-nos os ombros
Falareis de mim não posso impedir que faleis de mim
mas já nada disso me pesa como o simples facto de ter de ser vosso amigo
Estou só e só para sempre e só desde sempre
mas antes por direito de opção. Agora não
Deixaram-me aqui doutor em tantas e tão grandes tristezas portuguesas
e durmo o sono das coisas convivo com minerais preparo a minha juventude definitiva
Era como eu esperava mas não posso dizer-vos nada
pois tendes ainda o problema e a cara da pessoa viva"
 


publicado por oha às 08:26
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De Mali


publicado por oha às 08:18
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O último poema

"Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação."

 


publicado por oha às 08:07
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Domingo, 7 de Junho de 2009

Povo

"A um povo ignorante se pode enganar com a superstição e torná-lo servil. Um povo instruído será sempre forte e livre"


publicado por oha às 18:37
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Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Em festa


publicado por oha às 19:54
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Terça-feira, 2 de Junho de 2009

O país de uma nota só

 

"Não pretendo nada,
nem flores, louvores, triunfos.
nada de nada.
Somente um protesto,
uma brecha no muro,
e fazer ecoar,
com voz surda que seja,
e sem outro valor,
o que se esconde no peito,
no fundo da alma
de milhões de sufocados.
Algo por onde possa filtrar o pensamento,
a idéia que puseram no cárcere.

 

A passagem subiu,
o leite acabou,
a criança morreu,
a carne sumiu,
o IPM prendeu,
o DOPS torturou,
o deputado cedeu,
a linha dura vetou,
a censura proibiu,
o governo entregou,
o desemprego cresceu,
a carestia aumentou,
o Nordeste encolheu,
o país resvalou.

Tudo dó,
tudo dó,
tudo dó...
E em todo o país
repercute o tom
de uma nota só...
de uma nota só... "

 

 

 

 


publicado por oha às 20:29
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Ode a pobreza

"Quando nasci,

pobreza,

me seguiste,

me olhavas

através

das taboas podres

pelo profundo inverno.

 De prontidão

eram teus olhos

os que olhavam das brechas.

As goteiras,

da noite, repetiam

teu nome e teu sobrenome

ou as vezes

o salto quebrado, o traje rasgado,

os sapatos furados,

me advertiam.

Ali estavas

espiando-me

teus dentes de traça,

teus olhos de pântano,

tua língua cinza

que corta

a roupa, a madeira

os ossos, o sangue,

ali estavas

buscando-me,

seguindo-me,

desde o meu nascimento

pelas ruas.

Quando aluguei um quarto

pequeno, nos subúrbios,

sentado em um sofá,

me esperavas,

ou no decorrer dos lençóis

em um hotel escuro,

adolescente,

não encontrei a fragrância

da rosa desnuda,

sim o silvo do frio

da tua boca,

Pobreza,

me seguistes

pelos quartéis e hospitais,

pela paz e pela guerra.

Quando adoeci tocaram

à porta:

não era o doutor, entrava

outra vez a pobreza.

Te vi tirar meus móveis

à rua:

os homens

os deixavam cair como pedradas.

Tu, com amor horrível,

de um montão de abandono

no meio da rua e da chuva

ias fazendo

um trono desdentado

e olhando os pobres

recolhias

meu último prato fazendo-o diadema.

Agora,

pobreza,

eu te sigo.

 Como fostes implacável,

sou implacável.

Junto

de cada pobre,

me encontrarás cantando,

baixo,

cada lençol
d
e hospital impossível

encontrarás meu canto.

 Te sigo,

pobreza,

te vigio,

te cerco,

te disparo,

te exilo,

te corto as unhas,

te quebro

os dentes que te restam.

Estou

em todas as partes:

no oceano com os pescadores

na mina com os homens

ao limpar-se a frente,

tirar-se o suor negro,

encontram

meus poemas.

Eu saio cada dia

com a trabalhadora têxtil.

Tenho a mão branca

de dar pão nas padarias.

Aonde vais,

pobreza,

meu canto

está cantando,

minha vida

está vivendo,

meu sangue

está lutando.

Derrotarei

tuas pálidas bandeiras

aonde se levantam.

Outros poetas

antes te chamaram

santa,

reverenciaram tua capa,

se alimentaram de fumo

e desapareceram,

Eu

te desafio,

com duros versos te golpeio o rosto,

te embarco e te desterro.

Eu com outros,

com outros, muitos outros,

vamos te expulsando

da Terra a Lua

para que ali fiques

fria e encarcerada

vendo com um olho

o pão e os ramos

que cobrirão a terra

de amanhã."
 

publicado por oha às 20:05
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Solidariedade

"Eu não acredito em caridade. Eu acredito em solidariedade. Caridade é tão vertical: vai de cima para baixo. Solidariedade é horizontal: respeita a outra pessoa e aprende com o outro. A maioria de nós tem muito o que aprender com as outras pessoas."


publicado por oha às 00:10
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Um mundo sem racismo


publicado por oha às 17:37
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